quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Daqui a menos de 24 horas

No dia 10/11/2007, eu sai do cursinho na hora do almoço. Era um sábado de manhã, tinha revisão de biologia. Ano de vestibular, e eu tinha algumas tradições. Entre elas, o costume de ler os livros em português. Então eu me blindei, e esperei até aquele dia. O dia em que eles, laranjinhas e lindos como só eles, invadiram as livrarias.
Tinha uma Nobel aqui do lado de casa, e eu reservei o livro lá. Era no caminho do ponto pra casa, tudo calculado. Ouvindo iPod e lendo a apostila no caminho, no sábado não tinha muito trânsito, então cheguei logo. Peguei o livro. Cheguei em casa.
"Pai, eu vou ler o último Harry Potter. Então qualquer eu tô aqui, mas eu não vou falar muito, tá?"
"Você vai ler isso aí tudo hoje?"
"Não sei, pai, mas eu preciso saber o que acontece. Eu preciso."
Sentei pra ler depois do almoço, umas 13. Eu acabei o livro só a meia noite. Mas eu acabei. Tive de fazer uma pausa e ligar, ligar pra quem eu podia falar qualquer coisa, simplesmente falar, pra processar as informações. Relíquias da Morte me engoliu em poucas horas. Quando eu terminei, anotei a data, fiz a minha frase. E achava tão engraçado pensar que o fim do Harry era ali, uma semana antes do meu primeiro vestibular.
Crescer junto.
Não de criança, mas de crescer mesmo. Harry Potter é responsável por 100% de quem eu sou hoje, afinal, se não fosse essa história, muitas tantas coisas não teriam sido. De todos os sentimentos intensos que eu já senti, Harry me proporcionou o maior. O amor. Aos poucos, tanta coisa surgiu e destruiu tanta coisa. Os desdobramentos de Harry na minha vida são inexplicáveis. Eu poderia odiar essa história, mas aí entra o fato: Harry é tudo que se manteve intacto desde a primeira vez em que eu li a Pedra Filosofal. Sempre foi a porta pro meu mundo paralelo, até quando esse mundo paralelo não era ficção.
Pois bem, voltando pro Harry, desde aquele 10/11, mais de 3 anos atrás, eu já sabia que aquele não seria o fim. Muitos filmes por vir ainda, e eles ainda surpreenderam dividindo Relíquias em 2.
Li os livros tantas vezes depois daquela data.
E aí amanhã, amanhã talvez seja o começo do fim. O começo do fim dessa era, marcada por essa história especial. Porque vão acabar as notícias, as fotos, os surtos por trailers. Quando eu li pela primeira vez a dedicação da JKR em Relíquias, eu achei muito bonita. Mas talvez hoje, algumas horas antes de sentar pra ver o começo do fim, eu tenha realmente entendido o quão especial foi dedicar o melhor dos livros pra nós, que acompanhamos Harry até o fim.
Nunca me vesti de Hermione (já quis), nunca fui de varinha para a pré-estréia, minha mãe nunca me deixou ir na pré-estréia! Meu vício sempre foi enorme. Tive todos os albuns, enchi meu quarto de figurinhas, li fics, escrevi fics, fiz parte de fórum, entro todo santo dia, religiosamente, no Potterish, tenho calendários, bonecos, todos os livros relacionados. Basicamente, fiz tudo que um fã deveria fazer nesses 10 anos em que a história esteve na minha vida. Vou conhecer o Wizarding World ano que vem, e choro vendo as fotos, e tenho certeza que vai ser uma emoção ainda maior do que olhar pro meu querido castelo da Cinderela, não por nada, mas porque esse vício eu criei sozinha. Eu nasci viciada em Disney, herdei da mamãe, mas Harry eu conheci e me apaixonei. É a coisa mais minha (todos os milhares de fãs dizem isso, relaxem que eu sei) que eu tenho. Minha paixão, minhas idéias, minhas teorias, minhas frases favoritas.
A geração Harry Potter existe, não é só a época fazendo graça.
Aí amanhã a gente vai lá ver esse filme que tão dizendo que vai agradar os fãs que leram os livros. Warner, David, enfim, todos vocês: peço, de todo o meu coração, que dessa vez vocês não me decepcionem. Eu nunca coloquei tanta expectativa em nenhum dos filmes, pois sempre teve uma parte de mim meio avessa a essa coisa de filmes. Mas ela foi superada.
O Dan, a Emma, o Rupert, o Tom, a Bonnie, a Helena, o Alan, todos me conquistaram aos poucos. Não sempre pela atuação, mas por conseguirem demonstrar o amor que Harry, Ron e Hermione merecem. E por serem sempre tão legais com os fãs. Reconheço que eles são mesmo.
Amanhã eu vou ser só mais uma vendo o filme. Chorando quando a Hermione apagar a memória de seus pais, chorando quando aquela música começar, rindo de satisfação ao ouvir Rony dizer que eles não sobreviveriam nem dois dias sem a Hermione, nervosa com a invasão no Ministério, aflita pelo surto do Ron...
Mas mais do que qualquer coisa, qualquer livro ou mania de "saber muitas coisas", o que sempre fez da Hermione a minha favorita é o fato de que ela tem dois amigos homens. Os melhores, claro. Ela é amiga da Gina, mas entende que não é a mesma coisa? Enfim, muitas pessoas entraram e saíram da minha vida, mas eu acho que posso dizer, tranquilamente, que eu sei como é viver o tempo todo entre meninos. E sei como eles podem te surpreender. É por isso que, eu sei que amanhã, a cena que mais vai arrancar lágrimas minhas vai ser a dança do Harry com a Hermione. Porque todo mundo merece ter um Harry, que te chama pra dançar quando tudo tá dando errado. E porque ver tal atitude da parte de meninos, que parecem que passam o dia todo te infernizando, é simplesmente especial.
No fundo, muito do que vai me fazer chorar amanhã é o fato de ter pessoas que se provaram muito especiais para mim assistindo o filme comigo. Que passaram a semana inteira falando do filme comigo, combinando o dia de amanhã. Pessoas que entenderam o quanto o dia de amanhã é importante pra mim, e mesmo que não seja igual, elas estarão lá, como raramente outras pessoas que passaram pela minha vida na mesma condição estiveram. Isso me faz simplesmente muito feliz. É quase como uma dança na barraca.
Pois bem, essa é minha consideração sobre o tema. Consideração de alguém que, desde segunda, não consegue fazer nada direito, pensando no dia de amanhã. Coisa de gente que acompanhou Harry até o fim.
Desejo sinceramente que todos nós, fãs de verdade, que leram, choraram, riram, e construiram uma parte da vida em cima dessa história, tenhamos o prazer de assistir ao filme mais incrível da série até então.
Afinal, pra felicidade geral da nação potteriana, AINDA TEM A PARTE II!
 
Por Fê Lima

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Banho de Espuma, Conversas, Casinhas

Como disse ele, não há problema nenhum em estar em paz às vezes. Num semestre como este, estar em paz é esquisito. Mas a paz vem, e, diferentemente do que dizem por aí, ela não chega pacífica. Parece que se forma uma situação, as coisas vão acontecendo aos poucos: saí pulando e gritando do banho de espuma, e é claro que eu escorreguei. Meu tênis tinha MUITA espuma, MUITO sabão, MUITA água. Mas a alegria continuava lá. Eu cheguei no alojamento, tirei o tênis, tomei banho e coloquei meias secas. Cara, eu sinceramente acho que todo mundo devia colocar meias secas quando as coisas se complicam.

Depois da bagunça, as meias secas fizeram do cansaço algo ainda mais agradável. Viver com o corpo cansado é totalmente aceitável, certo? Faz a gente dormir melhor.

Viver com a cabeça cheia é opção, é a minha opção.

Mas cansar o corpo é necessário. Ter cinco minutos do seu dia para colocar meias secas é necessário.

E então eu disse pra ele, porque eu sabia que nos últimos tempos eu estava pesando. Disse para ele que eu quero que todo dia seja Sábado à tarde saindo do Francês, que todo dia alguém ria da gente no farol. Que todo dia a gente tome amolecedor de cutículas da Revlon.

Eu não sei quanto tempo demora para construir um vínculo, eu não sei quanto tempo demora para construir uma carreira, eu não sei quanto tempo demora para construir um amor, mas eu sei que a felicidade não se constrói: um dia você chega do Pilates e sente que ela tá aí, do seu lado. Achando graça do seu amolecedor de cutículas, te chamando de negra, te chamando de panda, fazendo sucesso com você, segurando na sua mão, fazendo dedinhos, levantando seu ego.

Quando elas acham que estão fazendo o mal, elas estão fazendo o bem. Algumas pessoas tem isso, tem um papel diferente. Enfim, boa tarde pra você que descobriu que sua vida é mais gostosa do que um cupcake de MM’s.

Por Fê Lima

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

o jeito que agimos: escolhemos

Foi isso. Depois de uma noite sem dormir, um dia cheio de palmas.
Não sei se foi fácil ou difícil, simplesmente foi; por mais complexo que isso possa parecer. Acordei cedo, preocupado. Mas depois que aconteceu, a felicidade era tanta, que nenhuma preocupação podia ser lembrada. Eram 6h30 da manhã, e minha única companhia para esse dia que durou mais do 24h era um café grande. Listas estavam sendo montadas, panfletos com figuras da revolução chinesa estavam sendo distribuídos, estratégias eram armadas e cenários eram planejados. Parecia mesmo uma guerra. Eu não tinha ideia do tamanho de tudo isso, acho que ainda não tenho. Meu coração ainda bate mais cada vez que eu lembro que aconteceu. Não imagino quantos alunos tinham no terceiro andar. Eles preenchiam o corredor, as escadas e todas as saídas possíveis. Chegar ao elevador era difícil. Mas como a própria diretora havia dito, a manifestação era pacífica. Terceiro andar, era lá que tudo seria resolvido, em duas horas. 11h, começa a reunião, tensa. Uma reunião que para muitos era normal como todas as outras. Uma reunião que a maioria dos alunos quase não tinha informação e que muitos, há pouco tempo atrás, nem sabiam que existia. Os assuntos eram passados, e a cada página virada, a última pauta - a nossa pauta - chegava cada vez mais próxima. Até que chegou. Uma apresentação dos fatos, pontos levantados, assuntos discutidos. Início da votação: 12 a 1 a favor do direito de escolha dos alunos. Era uma vitória, não só dos alunos, não apenas da faculdade, mas da vontade de escolher o que fazer. Ainda não tinha acabado. Abrir a porta de vidro e ver o sorriso de todos aqueles alunos, por mais clichê que possa parecer, deu significado àquela vitória. Os alunos estavam felizes, me cumprimentavam, alguém que eles nem sabiam o nome direito, mas que tinha deixado eles felizes e era isso que importava.

Depois disso, a gente até passa a desconfiar que o inacreditável não é impossível.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

minha sala revolucionária

Eu só queria agradecer, para quem quisesse ouvir. Essas semanas têm sido um pouco difíceis por vários motivos. Mas sabe, eles me lembraram a cada momento nessa semana, a cada momento que eu ia suspirar de cansado, de porque eles tinham me escolhido. Eles me lembravam de como eles confiavam em mim e me aceitavam. Os comentários às vezes eram suspiros, mas eu ouvia, de um jeito ou de outro. Eram elogios, eram falas, era invejinha, era fé em mim. Amanhã eu não sei no que vai dar (que já é quase hoje). Mas é novo. É movimento. É vontade de fazer acontecer. Se eles confiam em mim - e quando eu digo eles, não estou falando em vários alunos que assinaram um papel, estou falando na minha sala, que eu 'cresci' nesses últimos dois anos - então eu não posso me dar ao luxo de não confiar em mim. J'adore la révolution!

sábado, 14 de agosto de 2010

adultos perdidos

Eu e Fê fomos à Bienal. Depois de ouvir o anúncio de uma criança perdida, eu perguntei:
- Fê, vamos nos encontrar no "Espaço das Crianças Perdidas" caso a gente se desencontre?
- Tudo bem, bem.
Mas então eu lembrei:
- Fê, acho que a gente não vai precisar. Nós não somos crianças, temos celular, qualquer coisa a gente se liga.
- Não, Carlos, nós não vamos nos perder porque somos adultos.

Mas por que mesmo assim eu sempre me perco?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

inocência nativa

No começo eu não queria ir. Não sei porque, não faço a mínima ideia mesmo, mas lugares cheios demais com pessoas importantes demais que geralmente se acham demais sempre me incomodou. Talvez era eu quem me achava demais para ficar perto deles e não queria ir. Acho que na verdade era isso mesmo. Mas eu fui. Coloquei meu iPod e fui à noite de autógrafos da Livraria Cultura.


Comprei meu livrinho sem muita esperança para autógrafos. Se eu não tivesse sido tão besta, estaria na fila há um bom tempo. Mas fiquei, já estava lá mesmo. Estão um senhor com pinta de simpático, um chapéu engraçado e uma bengala me pediu para guardar o lugar dele por um minutinho. Confesso que simpatizei com a bengala, guardei. Ele voltou e começou a tagarelar. Estava na fila, não podia sair para dar uma volta e escutei. Comi uns canapés de ervas finas; ele comeu o de ervas finas, de catupiry, de peito de peru e um outro roxo que eu não distingui. Tomei água; ele bebeu dois copos de água, um de guaraná, um de suco de maracujá e um de goiaba. Não peguei tudo o que ele disse. Mas uma hora eu escutei: "A gente acaba vindo para a Livraria sem saber, só para resolver as nossas dúvidas sem nem as escutá-las. Muitas vezes a gente nem sabe que as tem". Foi aí que eu me dei conta que - sem querer, como quem não quer nada e está só de passagem - só nos últimos dez dias eu devo ter ido umas quatro vezes à Livraria. Estava com muitas dúvidas. Ainda estou com outras tantas, mas o labirinto sempre me acalmou. Não sei se aquele senhor era um metido a sabe tudo ou se era um sabe tudo, não o achei tão simpático até o fim; mas fiz questão de me despedir do George, o Curioso. Ele dizia que era igual ao George Orwell.

No final de tudo, eu fui o último a pegar algum autógrafo com a fila inteira se fechando bem atrás de mim. E só sobramos nós, eu e aquela inocência verde que parecia relutar em ficar sentada.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

café e chocolate, canela e baunilha

De manhã o banho estava tão quente, o dia parecia que seria bom. Quando desliguei o chuveiro, não parecia mais. Estava frio, bem frio.

Mas sabe? Não foi tão difícil assim. Poucos minutos depois, eu já estava dando muitas risadas, com cafeína demais no sangue e - com certeza - muita glicose também. Nós estávamos falando dos nosso problemas: de ligações inusitadas, de um "sinto sua falta", de meios passo para trás. Mas nada nos preocupava tanto assim. Nós, com nossos juízos loucos, ríamos bem alto sendo que nem eram oito horas da manhã ainda.

Oi, viu, me dê me suco para viagem, viu?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ao Senhor Ex-Colégio

Hoje recebi uma ligação inusitada. Um amigo do colégio, pensando em fazer GV, após anos de outra faculdade. O que “me acalma, me acolhe alma”, afinal, não sou só eu que ligo pros amigos do colégio querendo saber se a faculdade deles é mais legal do que a minha. Meu amigo precisa de janelas e pessoas. Eu precisava de janelas e números.

Ao nosso ex-colégio, deixo minhas reclamações. Vocês formataram pessoas brilhantes, com opiniões únicas, comportamentos impecáveis, escrita correta, raciocínio rápido. Vocês fizeram quase-homens e quase-mulheres que funcionam como máquinas quando estão determinados a alcançar algum resultado. São destemidos, são insistentes, são eficientes, e, em 85% dos casos (número que eu chutei, mas deve ser por aí), tem sucesso quando saem do colégio. Porém, vocês não se preocuparam em ensinar esses quase-heróis a encontrarem o que eles realmente querem. Eles tem todo o material, e mesmo assim, não conseguem fazer a obra. Largam pela metade.

Hoje eu vi que TODOS, TODOS nós da turma de 2007 estamos sujeitos a dúvidas e angústias existenciais. Também me lembrei de que nós, não todos, apenas os melhores, conseguimos passar em todas as provas que prestamos. E também me lembrei de que isso não foi e não é suficiente para nos fazer felizes. Por isso, senhor ex-colégio, eu digo e repito, e acredito que outros também o fariam, nós não queremos voltar para agradecê-los. Vocês nos deram o que poderia ser conquistado em um ano ou dois, e nunca nos ofereceram a chance de termos aquilo que nunca pode ser perdido: um sonho verdadeiro, concreto; uma certeza.

A gente hoje sabe que tudo aquilo que o pessoal dos outros senhores ex-colégios não fez nos anos do ensino médio não foi um tempo totalmente perdido. O vestibular é uma prova estúpida e nenhum adolescente tem a obrigação de falar sobre a “Era dos Extremos” com grande propriedade. Porém, o tempo que nós gastamos fazendo ciclo trigonométrico, esse sim foi perdido. E foi inútil, lembro das provas do nosso ano, nem passaram perto da trigonometria que nos foi exigida. Nós poderíamos ter tido apoio das mentes brilhantes dos professores do senhor ex-colégio. Nós poderíamos ter discutido mais entre nós, nós poderíamos tudo. Mas nós estávamos fazendo relatórios de Química!

Senhor ex-colégio, aqui fica meu recado: o vestibular tem todo ano, inevitavelmente. Porém, a angústia e a dúvida que me acompanham quando eu me deito não deveriam fazê-lo todos os dias. E é por isso que nem eu, e nem muitos outros, iremos perdoá-lo. Talvez reconhecer, aceitar, mas nunca perdoar. Nós estamos mais atrás de todos os outros do que jamais estivemos. Mas isso não é mais problema de vocês, não é mesmo?

Ah, senhor ex-colégio. Sinto nojo do senhor, hoje mais do que nunca.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

pão de ló

Era uma chuvinha rala que não assustava ninguém. Para mim ,significava um começo de semestre que não nascia com a cara boa. Então as gotinhas fracas viraram suco de laranja, pão de queijo, pão na chapa e um cheesecake. Claro, tudo isso com uma boa companhia. Depois encontrei velhos conhecidos que estava rezando, conhecidos que estava gritando numa salinha. Um já xingou o outro. Uma já pediu dinheiro emprestado para o outro. E o semestre ainda nem começou. Minha aula é só às treze horas.

Ninguém me contou como vai ser o meu semestre. Não fui numa vidente para saber se ele vai ser bom ou ruim. Mas acho que vai ser como esse dia: com pingos de chuva, mas cheios de sorriso. De quem depende tudo isso? Prazer.

domingo, 1 de agosto de 2010

Um cacho de banana na família dos porquinhos

Acordei segurando um Homem-Aranha. Sem cabeça. É, o Homem-Aranha estava sem cabeça. Já estava achando que aquilo era um sonho, mas estava sentindo o cheiro de cigarro na janela ao lado e a voz fina de criança de seis anos. Levantei daquela hora de 'quem ainda acordou e não sabe onde está' e comecei a me trocar, sem o Homem-Aranha. Arrumei a tevê para o meu avô e fui com meu priminho comprar pão, a pedido da minha avó que estava passando minhas roupas, sem ninguém pedir, ela só queria fazer alguma coisa para me ajudar. Ninguém que me via na fila do caixa sabia que eu havia encontrado alguma coisa, mas eu estava bem feliz, só olhando meu priminho brincar e adimirar as faíscas da construção em frente. Aquela era a famíla que eu vi o mês que passou inteiro, mas ela nunca era demais. Era grande, mas ao mesmo tempo nunca me enchia. Meu priminho tinha passado da fase dos porques (ou ainda nem tinha chegado), mas gostada de me mostrar tudo que via e me contava todas as graças que ele achava. Meu avô era sempre calado, nunca falava; mas - uma vez ou outra - eu ouvia um: "Só você mesmo para aguentar tudo isso", direcionado a mim que ele achava que eu não escutaria. Minha avó sempre queria arrumar um agrado para todos, sem se importar com esforço algum que ela fizesse. Minha tia nunca ligava muito para nada, ela só queria ser feliz, feliz mesmo, sem muitas preocupações e de um jeito que não atrapalha ninguém. Já meu tio, era todo atrapalhado. Eles chegaram cheios de mala, cheios de novidades e muita vontade de comprar. Chegaram com um cacho de banana ouro, "uma delícia que encontramos na estrada". Depois que eu apareci com o pão quente e o jornal do dia, sem que eu percebesse, eles foram embora. Sumiram mais rápido do que café em xícara de fumante.

Eu já fiquei várias vezes aqui, sozinho no apartamento. Mas, de uma hora para outra, uma cabeça de Homem-Aranha no chão eu sabia de um jeito só meu que ainda poderia enchê-lo. Eu achava que com aquele texto tinha me despedido das férias. Contudo, a tranquilidade que aquele cacho de banana me proporcionou, me deixa tranquilo para mais um semestre.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

getulino

De uns tempos para cá meus pais me apresentam como: "esse é o meu filho que faz GV". É engraçado pensar que dentro da faculdade isso não distingue nenhum aluno. Afinal, então, por que eles são diferentes? Seriam as Entidades? Seriam as notas, a média global? Um tempo atrás eu achava que era tudo isso e mais um pouco: horas de estudo, conversa com professores e tempo dedicado a cada entidade. Hoje, já não tenho mais tanta certeza. Não que os EJs, os JPs, os não tão atletas da Atlética ou ainda os alunos do DA sejam iguais, mas de repente, essas várias entidades e as notas no quadro de honra não fazem tanta diferença para quem entra na faculdade e vê todos os alunos como 'alguém de fora'. Também não acredito muito na visão de alguém de fora, visto que esse alguém não perceberá a idiossincrasia de cada aluno por si ou do grupo que o aluno formou, o forasteiro não perceberá que alguns alunos estão fumando embaixo do toldo proibido, outros estão arrumando seus ternos para uma reunião de feedback, alguns outros lá em cima estão decorando palavras difíceis e tentando articular todas elas numa frase, aqueles perto da livraria não devem ter lido quase nenhum daqueles livros, ou ainda que aqueles dois alunos - embora distantes na quadra - estão falando via BBM em seus BlackBerry novos. É, ele não vai perceber nenhuma dessas coisas e dificilmente pegará todas elas em apenas uma semana de aula.

Cada um dos alunos da GV, mesmo idolatrando seus computadores Mac e suas próprias imagens nos banheiros impecáveis, conseguem adquirir certa intimidade após alguns meses de aula. Alguns dizem que as salas não são muito unidas e que grupos são criados logo nas primeiras semanas, mas depois de um tempo, com a semana de entrega finais de trabalho ou ainda com a chegada da semana de provas, não há quem não fique solidário o suficiente para explicar um parágrafo que seja de texto para amanhã. As horas na biblioteca são intermináveis, algumas vezes até divertidas. Essa intimidade criada é daquele tipo que permite você andar de meias pela faculdade numa quinta-feira às vinte e uma horas ou dividir um dogão na hora do aperto.

Acho que essa foi minha despedida das férias. E mesmo com todas as nossas igualdades comuns, eu sinto falta de muitos desses gevenianos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

sorvete gelado sem leite derramado

Acho que eu estava tão acostumado com aquele estado de torpor, aquele estado de não saber de nada; que eu nem estava percebendo a felicidade que não era invenção minha.

É um pouco - tudo bem, é muito - difícil perceber que se o sorvete está derretendo não é por culpa do tempo que está quente ou abafado, mas porque você mesmo está demorando para aproveitar todos os sabores que vem antes da casquinha.

Foi isso que aconteceu: na musicália no sábado, no simples estar junto do domingo e nas várias compras da segunda feira. Antes pensava que ia embora igual quando cheguei, mas agora sei que tudo está diferente.

E mesmo que todo o sorvete derreta, também só depende de você fazer bico sobre o sorvete derretido ou pensar que não engordou alguma coisa a mais. Se isso é bom ou ruim, quem sabe? Tem sempre uma sorveteria aberta para descobrirmos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dois mundos

Além do mimimi de namorados e a saudade que essa relação deixa, eu ainda falaria sobre a saudade dos amigos e da convivência que as próprias férias deixam quando todo mundo vai viajar.

É estranho. É realmente muito estranho ficar quinhentos quilômetros distante. É estranho abrir meu e-mail e ver que aquelas pessoas que enchem minha caixa de mensagens não vai estar me dando bom dia amanhã. E que, de repente, não mais que de repente, eu vou ficar um mês sem entrar em contato com elas. Eu queria comentar assuntos que até duas semanas atrás todo mundo falava comigo, mas que agora não são os mesmos. E nem as pessoas são as mesmas. Fui para um outro mundo paralelo e esqueci de me contar. Um mundo onde ninguém daqui conhece quem eu conhecia e ninguém que eu conhecia conhece quem eu conheço. Alguns assuntos são os mesmos, a cumplicidade pode ser parecida, mas ainda é estranho ter que esquecer tudo que aconteceu no semestre inteiro e ter que viver um vida nova com velhas pessoas.


Eu ainda como como um louco, fico feliz quando compro livros e nas horas vagas jogo videogame. Mas e ela, ainda pinta as unhas? Eles ainda são duas toiças namoradeiras? Esses três ainda formam o trio do chá? Ela ainda joga futebol e namora o outro jogador? Ela ainda economiza nas contas, mas faz viagens ao redor do mundo? Ele ainda tem apelido de cachorro? Ele ainda gosta do mundo capitalistas das empresas? Ela ainda vende sapatos? Ela ainda não sabe escrever três palavras sem errar - pelo menos - uma? Ela ainda se veste como quer e não liga para o que dizem? Ela ainda fica doente quando o frio bate? Ele ainda não sabe o que quer além de comprar? E o mais novo, surfa mesmo com o braço quebrado? Eles todos juntos fidna azem perguntas indecentes? E os meus filhos? Posso ficar preocupado com eles todos?


É e não é. Esse mundo meio vácuo, meio tudo, meio nada, meio não sei o quê. É estranho.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mimimi

Eu não sei porque decidi fazer esse post, mas me deu muita vontade de falar. A gente, às vezes, passa muito tempo sozinho e esquece como é ter alguém. Ter alguém assim, não só ter alguém por quem a gente é apaixonado, mas ter alguém do nosso lado. Tipo, ter uma dupla.
Uma pessoa que ri com você no jantar, que divide as pantufas com você, uma pessoa pra quem você pode pedir carinho, colo e mimimi. Uma pessoa que acha que tudo que você faz é demais, que ri com você e de você nas horas certas; alguém que tope simplesmente passar horas no sofá da sua casa, dando risada, falando dos outros, vendo revistas - a atividade não é realmente importante, a companhia é.
Tenho plena consciência de que não sei nada sobre o futuro. Não sei como vai ser, não sei se atingirei meus objetivos, se eles mudarão, mas sei muito bem que não vou optar por alguma coisa fácil. Preciso de coisas que me desafiem, preciso levar uma vida na qual nada é fácil de conseguir. Preciso ter o gosto de conseguir, e o pior de tudo, ainda acho que quero fazer alguma coisa grande, alguma coisa.... não tão convencional assim. Não tão comum assim, não tão simples assim. Tudo isso gera um peso enorme às vezes. Aquela sensação de que, mesmo quando ninguém te vê, mesmo quando todos acham que você atingiu o topo, você tem certeza de que ainda falta muito pela frente. Sempre falta muito, e cada fase fica mais difícil. Tudo isso gera um peso, gera cansaço.
O importante de ter uma dupla, pra mim, é ter entendido que eu posso não carregar esse peso sozinha. No fundo, no fundo, eu tô sozinha, todos estamos. Mas é bom ter alguém que pode te ajudar, quando você precisar. Alguém que não quer te carregar, alguém que quer andar junto. Alguém que vai assistir um desenho com você na hora da folga. Alguém que traz shampoozinhos de hotel.
Eu sei que isso tudo é um momento utópico. A vida não é fácil, as coisas não duram para sempre, a rotina é cansativa e exige jogo de cintura, mas agora, nesse momento, eu simplesmente vou fazer minhas unhas, fazer uma misturinha, e ficar feliz com o dia bom que eu tive, dormir tranquila, e aproveitar as pequenas coisas que surgem quando se tem alguém.

sábado, 10 de julho de 2010

Coerência?

Eu e o Litos combinamos que devíamos fazer posts minimamente relacionados, mas eu não tenho nada a dizer sobre a festa que ele foi com o gêmeo, e nem sobre qualquer evento boêmio. Assim, nada pessoal, mas às vezes eu não quero conviver com ninguém, às vezes eu não quero que meu telefone toque, às vezes eu preciso ficar sozinha comigo, soltar meus pensamentos, e conversar apenas com eles. Tenho medo que qualquer um que chegue perto acabe ouvindo. Acho que todo mundo sabe como é pensar naquilo que não se pensa, e não se pode pensar.
Basicamente, o que eu farei hoje, sim, numa sexta, feriado, nas férias, é arrumar meu quarto. Aquela escrivaninha está uma zona dos infernos e, bem, eu preciso de um lugar para esparramar meus livros e meus esmaltes.
E arrumar seu quarto dá aquela sensação de estar arrumando sua vida. Uma mentira tremenda, se me permitem a desilusão. Mas acho que tá bem, tá bem!
(...)
Tenho coisas demais na cabeça e não consigo passá-las para nenhum outro lugar.
Olho para o papel, nada.
Olho para a tela, nada.
Começo a falar, nada.
Amanhã eu vou sair com o Thiago e falar, falar, falar, falar por horas. Nunca dá em nada, eu sempre reclamo da minha vida, ele sempre reclama da dele, mas bem.... Todo mundo sabe o que é ter um amigo que, no fundo, mesmo quando você acha e quer que não, entende o que você quer dizer.
A cada dia que passa, eu tenho a sensação que eu tento saber mais e sei menos. Eu sei quem previu que isso ia acontecer na minha vida, e sei que eu não ligo. No fundo, no fundo, eu acho que não quero saber de nada, mas preciso desesperadamente continuar procurando. É o que eu faço. Algumas pessoas jogam basquete, outras saem pra balada, outras fazem cursos de culinária, algumas assistem TV, eu procuro, procuro, procuro, procuro. E quer saber, tá bom assim pra mim.
Bom final de semana! Espero ser menos desconexa quando possível.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Amanhã, ainda sou eu

Era uma festa para tomar suco de cevada, segundo o gêmeo. Mas foi mais do que isso. Foi uma mistura de sensações muito maior do que apenas refrigerante com vodka. Eram todas pessoas que eu já tinha visto e - até pouco tempo atrás - eu poderia dizer que conhecia, mas hoje eu simplesmente vi que talvez não possa dizer mais isso. Eram pessoas que conversavam comigo querendo um papo sério, querendo uma boa risada ou apenas querendo mostrar que estavam diferentes. Ainda não sei direito o que se deu nisso tudo, mas sei que sorri.
Eram pessoas procurando um caminhão de dignidade, procurando um esmalte novo, procurando briga, procurando não parecer muito criança. Mas desde quando a gente tem que fingir ser melhor para os outros gostarem da gente? A gente não pode ser simplesmente do nosso jeito e isso já não basta, já não é o suficiente? Não me venha com: "Eles precisam interagir mais com os outros." Prefiro nossas verdades do que as meias mentiras que os outros contam. Nessa madrugada eu simplesmente ouvi: "Nossa, lembrei da época em que eu era mais autêntica". Só porque eu estava com um clips no lugar do zíper. Todavia aquela frase não era só dela, mas de mais da metade daquelas pessoas que estavam lá bebendo seu suco de cevada. Cabe reflexão.

Talvez não tenha sido tudo isso. Talvez eu simplesmente estivesse com muito sono e não tenha entendido nada. Talvez essa só tenha sido uma festa sem abridor de garrafas, com um filho-palito, uma sereia e uma cerveja que nunca acabava. E agora, embreagado de sono, como só eu poderia estar, vou dormir.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Homem-árvore, Hominho bom, Litos.

Homem-árvore. Não há necessidade de frisar a importância da preocupação com o meio ambiente na atual conjutura em que vivemos. Todo mundo sabe que o mundo está no fim, que as árvores estão no fim, que a água está no fim, que está tudo no fim, e que devemos mudar nossos hábitos se quisermos deixar um mundo razoavelmente habitável para os nossos filhos. Porém, a maior parte das pessoas toma isso como bronca de mãe – entra por um lado, saí pelo outro. Desculpem a sinceridade, mas ninguém realmente liga para o meio ambiente. Pelo menos era assim que eu pensava até conhecer o Litos. Ele realmente gosta de árvores. Ele realmente se preocupa com a quantidade de árvores que estão sendo derrubadas para sustentar seus estudos gvnianos. Ele trabalho no Centro de Estudos de Sustentabilidade, enfim, ele basicamente está fazendo alguma coisa pelo mundo enquanto todos nós compramos ecobags porque elas são bonitinhas e baratinhas. Ele é um outlier, e seu lado sustentável, que aliás é seu único lado, é verdadeiro. Ele inteiro é de verdade, mesmo que pareça difícil de acreditar. Ele ama a Amazônia, e faria de tudo para salvá-la. Também é difícil de acreditar, mas esse é só o primeiro post, e eu também tive dúvidas, mas ele é uma prova de que nem todo mundo adere às novas tendências por conveniência. Tem gente que realmente acredita na mudança.

Hominho bom. A maioria das pessoas do mundo está preocupada pura e simplesmente com seu próprio eu, suas próprias dúvidas, seus próprios estudos, sua própria vida. É extremamente raro encontrar alguém que realmente queira nos ajudar, e que faça coisas pelos outros simplesmente para vê-los tornarem-se pessoas melhores. O Litos faz. Na nossa sala na faculdade, ele é representante, mas isso é só um título mais formal para PAI. E não um pai tipo um pai normal, daquele que quando fica nervoso, te fala poucas e boas. Um pai que está sempre calmo, gosta de ter seus filhos por perto e faz tudo para que todos fiquem felizes. Pois é, ele gosta de ajudar todo mundo, seja com estudos, fornecendo os melhores resumos DO MUNDO – a minha eterna prolixidade é proporcional à capacidade de síntese dele, seja com aulas propriamente ditas, afinal, ele entende a matéria mesmo quando o professor não explica, até mesmo quando o livro não explica. Ele também nos ajuda a nos organizarmos, enfim, pense naquela tia do pré, na sua mãe, em quem quer que seja que sempre esteve do seu lado, independentemente do seu retorno ou reconhecimento. Nós, do quarto semestre de Administração Pública na FGV, tivemos a imensa sorte de encontrar uma pessoa assim na faculdade. E querem saber o pior de tudo, aquilo que faz com que nós, mortais, que estamos preocupados com nossos próprios umbigos, sejamos nada além de fungos fedorentos e decompositores? Ele faz tudo por nós porque acredita que nós todos, cada um com seu jeito, podemos fazer com que ele seja ainda melhor. Acho que é isso é uma das razões que o tornam tão especial: acreditar que ele pode sempre aprender, com qualquer um. Guimarães Rosa, um dos favoritos dele, já dizia coisa parecida.

Litos, por último. Uma pessoa única, que surgiu na minha vida no momento certo, nem antes e nem depois, e sem saber, me ajudou a reencontrar a parte de mim que se perdeu quando me vi obrigada a optar por um curso que, muito provavelmente, não é o que eu queria, mas é o que eu preciso. A pessoa que recriou em mim, devagar, a vontade de ser a melhor naquilo que eu faço (ele não tem essa preocupação, mas garanto para vocês que o selo de qualidade Carlos é sinônimo de qualidade!), que me fez relembrar que um dia, eu já quis ser grande, já tive grandes sonhos, e que não há razão para que eu os deixe de lado. O Litos é meio que a materialização de tudo que meus livros me diziam, e como eu os abandonei por um tempo, acho que ele apareceu. Para me fazer lembrar, e para caminhar comigo rumo ao Itamaraty, ou a qualquer lugar no qual nós dois possamos dizer que fizemos diferença para o mundo. É um peso, é claro. É muito difícil não ter sonhos comuns, não querer o que todos querem. Dá solidão, e não solidão de paz, solidão ruim. E mesmo sabendo que, no fundo, estamos realmente sozinhos, a gente se achou e se uniu, para suportar um pouco o peso das coisas. Para podermos sentar num sábado, às 7 da manhã, e comer aquele brownie que vai dar força para aguentar o que quer que seja.

Ele, o Litos, foi aos pouquinhos ganhando um espaço enorme no meu coração. E aí um dia, envolvidos pelo excesso de açúcar, decidimos fazer um blog e falar sobre a vida publicamente e em dupla. É isso por enquanto.

Simples assim

“Oi, meu nome é...” Geralmente é assim que apresentações começam. Mas eu não tenho como fazer uma apresentação dela como as outras, porque ela, por si só, não é igual as outras. Talvez nada nesse blog seja igual aos outros, mas mesmo isso é difícil de dizer já que nem começamos nada.

Eu sei que todos estão esperando um “O nome dela é Fernanda, ela escreve como a Raquel de Queiroz, mas tem a ousadia da Clarice Lispector. Por que tudo isso? Porque ela nunca teve 100% de certeza na vida, mas quando menina foi quem tomou a iniciativa para falar que gostava de um garoto e lhe roubar um beijo porque era aquilo que ela queria naquela hora. Porque ela, mesmo sabendo tudo que poderia acontecer, tirou coragem para falar que queria trocar de faculdade e começou tudo de novo. Porque ela não gosta muito da Amazônia, mas mesmo assim não deixa de sentir o perfume das flores.” Apresentação é sempre uma utopia. Ninguém vai falar: “Sabe aquele bafafá do Conselho de Ética no fim do ano passado? É, ela estava no meio. Ela gosta de tomar uma cervejinha no final da tarde só para sentir-se um pouquinho embreagada e ver o tempo passar. É ela quem geralmente xinga sem ter medo de quem está ouvindo, e também diz umas outras coisas mais que alguns tampam o ouvido.” Apresentação nunca tem ovelhas negras. E isso realmente é difícil, porque, no final, ninguém é perfeito. Nem aquele cara com a barba por fazer comprando café no supermecado que te ajuda a alcançar o capuccino na última prateleira e deixa, sem querer, a cueca aparecer.

Todo mundo sempre espera histórias fascinantes de uma vida experimentada a cada segundo. Mas não é sempre que isso acontece. Ela, como toda mulher, sente em MAÍSCULAS. Ela, como toda mulher, chora no final da novela. Ela, como toda mulher, quer cuidar de quem ama. É, talvez não escrevamos coisas tão diferentes. Talvez seja isso o nosso blog, um blog sem tema, um blog sobre ela, sobre eu, sobre você. Sobre como a gente se sente nesses dias que a gente simplesmente quer escrever alguma coisa.

Uma descrição justa dela? Bom, acho que seria assim...

A Fê é comum. Comum como todas as outras pessoas. Alguns dias ela está feliz e noutros ela não tem muito o que dizer. Mas em alguns ela fala mais que o homem da cobra. Comum como aquela que você encontra sentada no busão, mas que sacoleja junto com você no transporte público. Comum como aquela menina que fica na sala de espera olhando para o relógio querendo saber quem é o próximo. Comum como aquelas mulheres que vão na farmácia procurando um esmalte especial para a noite. Ah, os esmaltes. Ela é aquelas meninas que cuidam de alguns amigos depois da balada e põe eles para dormir, mas com medo que eles vomitem neles mesmo. Mas também não dispensa um chote de pinga, já que ninguém é de ferro. Comum, entende? Como todas as outras garotas na idade dela, ela já chorou escutando músicas e após a balada, não se preocupando em borrar a maquiagem. Também já sedeu o ombro para muita amiga chorar. Ela se sente feliz quando senta em certos banquinhos para papear com os amigos. Adora para falar a verdade. Gosta de tomar café assim que começa o dia para que a cafeína trabalhe com ela. Mas às vezes toma cafeína à noite, sem medo. Mas tem medo de muitas outras coisas que já valem um outro post. Ela faz compras para se alegrar, passeia pelo shopping e vai ao cabeleireiro, além de fazer as unhas, claro. Ela tem uma vida interessante sem precisar contar para todo mundo que tem n tarefas para fazer, sem precisar passar por cima de todo mundo, sem ter que fazer tudo igual todo mundo. E como todo mundo, ela tem o jeito dela própria. Ela, às vezes, grita igual homem, assiste jogos de futebol igual homem, mas tem um computador rosa e – não nas horas vagas, mas sempre que quer – passa cera nas unhas. Ela não tem culpa de nenhuma dessas coisas. Ela grita mesmo durante o jogo e mantem as unhas impecáveis. Ela também, é ela toda, cheia de amores impecáveis. Ela ama uma boa música, uma volta no Instituto Moreira Salles, um olhar no pôr-do-Sol, um abraço de despedida só para não cair na rotina. E comum, como todas as outras mulheres, e quem sabe também pessoas, adora falar no telefone: um papo, um desabafo, uma conversa boa à toa, um boa noite ou combinar um plano maléfico para dominar o mundo. Ela é comum, corrente, vulgar, normal, regular, habital. Assim como eu, assim como você. Ela é aquela menina que tenta ser filha, aluna, namorada, amiga, desconhecida e ainda pensa em ser uma boa mãe. Mas seus sonhos não acabam por aqui. Entende?

Ela, afinal, é Fernanda Lima, tem vinte e tantos anos, morou sua vida inteira em São Paulo, pretende não ficar mais louca do que seus amigos julgam e acha que extravassar em doses homeopáticas não faz mal a ninguém. Mas, às vezes, ela própria extrapolas essa unidade de medida.