Acordei segurando um Homem-Aranha. Sem cabeça. É, o Homem-Aranha estava sem cabeça. Já estava achando que aquilo era um sonho, mas estava sentindo o cheiro de cigarro na janela ao lado e a voz fina de criança de seis anos. Levantei daquela hora de 'quem ainda acordou e não sabe onde está' e comecei a me trocar, sem o Homem-Aranha. Arrumei a tevê para o meu avô e fui com meu priminho comprar pão, a pedido da minha avó que estava passando minhas roupas, sem ninguém pedir, ela só queria fazer alguma coisa para me ajudar. Ninguém que me via na fila do caixa sabia que eu havia encontrado alguma coisa, mas eu estava bem feliz, só olhando meu priminho brincar e adimirar as faíscas da construção em frente. Aquela era a famíla que eu vi o mês que passou inteiro, mas ela nunca era demais. Era grande, mas ao mesmo tempo nunca me enchia. Meu priminho tinha passado da fase dos porques (ou ainda nem tinha chegado), mas gostada de me mostrar tudo que via e me contava todas as graças que ele achava. Meu avô era sempre calado, nunca falava; mas - uma vez ou outra - eu ouvia um: "Só você mesmo para aguentar tudo isso", direcionado a mim que ele achava que eu não escutaria. Minha avó sempre queria arrumar um agrado para todos, sem se importar com esforço algum que ela fizesse. Minha tia nunca ligava muito para nada, ela só queria ser feliz, feliz mesmo, sem muitas preocupações e de um jeito que não atrapalha ninguém. Já meu tio, era todo atrapalhado. Eles chegaram cheios de mala, cheios de novidades e muita vontade de comprar. Chegaram com um cacho de banana ouro, "uma delícia que encontramos na estrada". Depois que eu apareci com o pão quente e o jornal do dia, sem que eu percebesse, eles foram embora. Sumiram mais rápido do que café em xícara de fumante.
Eu já fiquei várias vezes aqui, sozinho no apartamento. Mas, de uma hora para outra, uma cabeça de Homem-Aranha no chão eu sabia de um jeito só meu que ainda poderia enchê-lo. Eu achava que com aquele texto tinha me despedido das férias. Contudo, a tranquilidade que aquele cacho de banana me proporcionou, me deixa tranquilo para mais um semestre.
Eu já fiquei várias vezes aqui, sozinho no apartamento. Mas, de uma hora para outra, uma cabeça de Homem-Aranha no chão eu sabia de um jeito só meu que ainda poderia enchê-lo. Eu achava que com aquele texto tinha me despedido das férias. Contudo, a tranquilidade que aquele cacho de banana me proporcionou, me deixa tranquilo para mais um semestre.
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