Homem-árvore. Não há necessidade de frisar a importância da preocupação com o meio ambiente na atual conjutura em que vivemos. Todo mundo sabe que o mundo está no fim, que as árvores estão no fim, que a água está no fim, que está tudo no fim, e que devemos mudar nossos hábitos se quisermos deixar um mundo razoavelmente habitável para os nossos filhos. Porém, a maior parte das pessoas toma isso como bronca de mãe – entra por um lado, saí pelo outro. Desculpem a sinceridade, mas ninguém realmente liga para o meio ambiente. Pelo menos era assim que eu pensava até conhecer o Litos. Ele realmente gosta de árvores. Ele realmente se preocupa com a quantidade de árvores que estão sendo derrubadas para sustentar seus estudos gvnianos. Ele trabalho no Centro de Estudos de Sustentabilidade, enfim, ele basicamente está fazendo alguma coisa pelo mundo enquanto todos nós compramos ecobags porque elas são bonitinhas e baratinhas. Ele é um outlier, e seu lado sustentável, que aliás é seu único lado, é verdadeiro. Ele inteiro é de verdade, mesmo que pareça difícil de acreditar. Ele ama a Amazônia, e faria de tudo para salvá-la. Também é difícil de acreditar, mas esse é só o primeiro post, e eu também tive dúvidas, mas ele é uma prova de que nem todo mundo adere às novas tendências por conveniência. Tem gente que realmente acredita na mudança.
Hominho bom. A maioria das pessoas do mundo está preocupada pura e simplesmente com seu próprio eu, suas próprias dúvidas, seus próprios estudos, sua própria vida. É extremamente raro encontrar alguém que realmente queira nos ajudar, e que faça coisas pelos outros simplesmente para vê-los tornarem-se pessoas melhores. O Litos faz. Na nossa sala na faculdade, ele é representante, mas isso é só um título mais formal para PAI. E não um pai tipo um pai normal, daquele que quando fica nervoso, te fala poucas e boas. Um pai que está sempre calmo, gosta de ter seus filhos por perto e faz tudo para que todos fiquem felizes. Pois é, ele gosta de ajudar todo mundo, seja com estudos, fornecendo os melhores resumos DO MUNDO – a minha eterna prolixidade é proporcional à capacidade de síntese dele, seja com aulas propriamente ditas, afinal, ele entende a matéria mesmo quando o professor não explica, até mesmo quando o livro não explica. Ele também nos ajuda a nos organizarmos, enfim, pense naquela tia do pré, na sua mãe, em quem quer que seja que sempre esteve do seu lado, independentemente do seu retorno ou reconhecimento. Nós, do quarto semestre de Administração Pública na FGV, tivemos a imensa sorte de encontrar uma pessoa assim na faculdade. E querem saber o pior de tudo, aquilo que faz com que nós, mortais, que estamos preocupados com nossos próprios umbigos, sejamos nada além de fungos fedorentos e decompositores? Ele faz tudo por nós porque acredita que nós todos, cada um com seu jeito, podemos fazer com que ele seja ainda melhor. Acho que é isso é uma das razões que o tornam tão especial: acreditar que ele pode sempre aprender, com qualquer um. Guimarães Rosa, um dos favoritos dele, já dizia coisa parecida.
Litos, por último. Uma pessoa única, que surgiu na minha vida no momento certo, nem antes e nem depois, e sem saber, me ajudou a reencontrar a parte de mim que se perdeu quando me vi obrigada a optar por um curso que, muito provavelmente, não é o que eu queria, mas é o que eu preciso. A pessoa que recriou em mim, devagar, a vontade de ser a melhor naquilo que eu faço (ele não tem essa preocupação, mas garanto para vocês que o selo de qualidade Carlos é sinônimo de qualidade!), que me fez relembrar que um dia, eu já quis ser grande, já tive grandes sonhos, e que não há razão para que eu os deixe de lado. O Litos é meio que a materialização de tudo que meus livros me diziam, e como eu os abandonei por um tempo, acho que ele apareceu. Para me fazer lembrar, e para caminhar comigo rumo ao Itamaraty, ou a qualquer lugar no qual nós dois possamos dizer que fizemos diferença para o mundo. É um peso, é claro. É muito difícil não ter sonhos comuns, não querer o que todos querem. Dá solidão, e não solidão de paz, solidão ruim. E mesmo sabendo que, no fundo, estamos realmente sozinhos, a gente se achou e se uniu, para suportar um pouco o peso das coisas. Para podermos sentar num sábado, às 7 da manhã, e comer aquele brownie que vai dar força para aguentar o que quer que seja.
Ele, o Litos, foi aos pouquinhos ganhando um espaço enorme no meu coração. E aí um dia, envolvidos pelo excesso de açúcar, decidimos fazer um blog e falar sobre a vida publicamente e em dupla. É isso por enquanto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário