Sim, gente, eu gosto da GV. E vou dar meus motivos. Caso te interesse saber os motivos pelos quais alguém pode gostar de algo tão indigesto, sugiro que continue a leitura. Caso te pareça que isso é apenas uma nerd falando, também é verdade, então pode ir embora em paz. Mas vamos ao que interessa: quem sabe quantos alunos estudam na USP? Segundo a wikipedia, uns 50 mil (aceito números melhores). Na graduação, somente na EAESP, a conta é fácil: 40 x 4 = 160 por semestre (em média); 160 x 8 = 1280. Mais a turma nova de AP, uns 1330. Mais o pessoal que não se forma em 8, uns 1400. Pois bem, a sua importância na GV é próxima de 1/1400. A importância de um aluno da USP é aproximadamente 1/50000. Já parou para pensar que o seu poder de mudança é minimamente relevante comparado ao poder de mudança de alunos em outras instituições de ensino importantes para o país? E mesmo assim, você continua gritando para a sua mãe que a sua atividade monitorada é inútil, continua chorando para o seu namorado porque a sua vida é muito corrida, afinal você estuda muita coisa inútil e não aprende nada. O menino que saiu da Poli e virou história provavelmente não podia fazer nada pelas pessoas que se sentem como ele, e que colam desesperadamente porque já foram sugadas pela loucura “provas + notas + competição”. Você pode.
“CLARO QUE EU NÃO POSSO! JÁ TENTOU FALAR COM UM PROFESSOR, PEDIR PARA ELE ADIAR UM TRABALHO, FALAR QUE ESTÁ SOBRECARREGADO?”. Já, eu já tentei e já não fui ouvida. Minha vez de perguntar: você já tentou falar com alguém que não o seu professor? Com um coordenador, com um tutor? Suponho que sim, e suponho que também não adiantou nada. Assim como eles já te mandaram desligar o computador, parar de mandar mensagem no BBM e prestar 5 minutos de atenção na aula que eles preparam. Eles também te pediram para que você lesse o texto, você leu? Hm... Eu também não li, relaxa. Ponto de parada importante: se você chegou até aqui, ótimo. Mas eu preciso que daqui para frente você só continue se acreditar em duas coisas: 1) generalizar é burrice; 2) mudanças são possíveis. Caso contrário, você vai perder seu tempo e dizer que eu sou mais uma coitada que quer salvar o mundo. Pode até ser, mas isso fica para outra hora.
Em dezembro do ano passado, fui convidada pela Coordenadoria de Graduação para um projeto que não tem nome. Um projeto que quer fazer uma mudança grande na GV. Eu, mais alguns alunos e alguns professores queremos que evitar que o próximo manifesto seja “porque eu desisti da GV”. Afinal, ela faz parte da nossa vida como nossa faculdade, como nosso trabalho, como lugar que muitos passam a maior parte do dia. E sabemos que ela vai mal. Mas há espaço para mudança, e isso me faz amar a GV. Claro que esse espaço é pequeno, principalmente porque somos poucos. Mas queremos contar a vocês que este espaço está aberto e que precisamos de pessoas que queiram utilizá-lo da melhor forma possível.
Talvez seja impossível mudar a GV inteira, até porque a GV não é a Disney, a GV não é um retiro espiritual na Tailândia. A GV tem sido a GV nos últimos 50 anos, e queremos que ela continue sendo a GV: pequena, apertada, um pouco massacrante. Queremos apenas que ela volte a ser instigante, e que aquela camiseta do “Orgulho em Ser GV” não seja só uma troca de roupa de Economíadas.
Eu demorei 3 anos para descobrir que a GV não tem dois lados: o bem e o mal, os alunos e os professores. O nome da GV foi feito por todos que por ela passaram, e está nas nossas mãos. Isso me faz gostar da GV, esse feeling que o projeto sem nome me deu de que na GV eu consigo sim fazer algo diferente, algo grande. Eu teria o mesmo sentimento em outra instituição – será que nela eu teria essa chance? Você com certeza compartilhou no seu facebook que a GV é um dos principais “think-thanks” do mundo. Você ao menos sabe como isso se dá na sua rotina? Sabe se algum professor seu está fazendo uma pesquisa animal, que te interessa? Ou se ele tem uma carreira muito parecida com a que você almeja? Mantendo a regra do “generalizar é burrice”, sei que algumas pessoas responderam “sim” às últimas perguntas, mas também sei que tem muita gente que não tem paciência mais para ler um texto desse tamanho todo e quer que eu frite por ter começado essa discussão.
Gente, a GV é um espaço de troca e não um campo de guerra. A gente já sabe que você odeia a sua vida, que você odeia estatística, que você odeia o blackberry dos seus alunos, que você odeia o facebook, que você acha que atividade monitorada é uma palhaçada, e que você faz estágio e quer que se dane. Isso tudo a gente já sabe. Queremos convidar vocês para nos contarem o que não sabemos: o que vocês estão dispostos a fazer para termos uma GV melhor? O que vocês precisam que mude para que vocês gostem da GV? Lembrando que a GV é a GV – sugestões de cunho radical, do tipo “coloquem um teleférico”, serão devidamente encaminhadas ao Playcenter.
Relembrando um último detalhe: se você chegou até aqui, você acredita em mudanças. Eu sei que isso parece uma loucura, mas seria MUITO legal se conseguíssemos gerar algo novo. Por isso nós, já envolvidos no projeto que não tem nome, por meio desse texto, convidamos vocês a gastarem alguns minutos conhecendo o que já discutimos, e quais são algumas das soluções para problemas levantados por alunos e professores (tanto separadamente, como de maneira conjunta). Somos aproximadamente 10, mas sabemos que há muito mais pessoas que vivem os mesmos questionamentos, que se importam e que estão dispostas a investir tempo em tentativas de mudanças. Venha reclamar da sua vida para as pessoas certas, que tal assim?
Por Fernanda Lima

