Foi isso. Depois de uma noite sem dormir, um dia cheio de palmas.
Não sei se foi fácil ou difícil, simplesmente foi; por mais complexo que isso possa parecer. Acordei cedo, preocupado. Mas depois que aconteceu, a felicidade era tanta, que nenhuma preocupação podia ser lembrada. Eram 6h30 da manhã, e minha única companhia para esse dia que durou mais do 24h era um café grande. Listas estavam sendo montadas, panfletos com figuras da revolução chinesa estavam sendo distribuídos, estratégias eram armadas e cenários eram planejados. Parecia mesmo uma guerra. Eu não tinha ideia do tamanho de tudo isso, acho que ainda não tenho. Meu coração ainda bate mais cada vez que eu lembro que aconteceu. Não imagino quantos alunos tinham no terceiro andar. Eles preenchiam o corredor, as escadas e todas as saídas possíveis. Chegar ao elevador era difícil. Mas como a própria diretora havia dito, a manifestação era pacífica. Terceiro andar, era lá que tudo seria resolvido, em duas horas. 11h, começa a reunião, tensa. Uma reunião que para muitos era normal como todas as outras. Uma reunião que a maioria dos alunos quase não tinha informação e que muitos, há pouco tempo atrás, nem sabiam que existia. Os assuntos eram passados, e a cada página virada, a última pauta - a nossa pauta - chegava cada vez mais próxima. Até que chegou. Uma apresentação dos fatos, pontos levantados, assuntos discutidos. Início da votação: 12 a 1 a favor do direito de escolha dos alunos. Era uma vitória, não só dos alunos, não apenas da faculdade, mas da vontade de escolher o que fazer. Ainda não tinha acabado. Abrir a porta de vidro e ver o sorriso de todos aqueles alunos, por mais clichê que possa parecer, deu significado àquela vitória. Os alunos estavam felizes, me cumprimentavam, alguém que eles nem sabiam o nome direito, mas que tinha deixado eles felizes e era isso que importava.
Depois disso, a gente até passa a desconfiar que o inacreditável não é impossível.

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