“Oi, meu nome é...” Geralmente é assim que apresentações começam. Mas eu não tenho como fazer uma apresentação dela como as outras, porque ela, por si só, não é igual as outras. Talvez nada nesse blog seja igual aos outros, mas mesmo isso é difícil de dizer já que nem começamos nada.
Eu sei que todos estão esperando um “O nome dela é Fernanda, ela escreve como a Raquel de Queiroz, mas tem a ousadia da Clarice Lispector. Por que tudo isso? Porque ela nunca teve 100% de certeza na vida, mas quando menina foi quem tomou a iniciativa para falar que gostava de um garoto e lhe roubar um beijo porque era aquilo que ela queria naquela hora. Porque ela, mesmo sabendo tudo que poderia acontecer, tirou coragem para falar que queria trocar de faculdade e começou tudo de novo. Porque ela não gosta muito da Amazônia, mas mesmo assim não deixa de sentir o perfume das flores.” Apresentação é sempre uma utopia. Ninguém vai falar: “Sabe aquele bafafá do Conselho de Ética no fim do ano passado? É, ela estava no meio. Ela gosta de tomar uma cervejinha no final da tarde só para sentir-se um pouquinho embreagada e ver o tempo passar. É ela quem geralmente xinga sem ter medo de quem está ouvindo, e também diz umas outras coisas mais que alguns tampam o ouvido.” Apresentação nunca tem ovelhas negras. E isso realmente é difícil, porque, no final, ninguém é perfeito. Nem aquele cara com a barba por fazer comprando café no supermecado que te ajuda a alcançar o capuccino na última prateleira e deixa, sem querer, a cueca aparecer.
Todo mundo sempre espera histórias fascinantes de uma vida experimentada a cada segundo. Mas não é sempre que isso acontece. Ela, como toda mulher, sente em MAÍSCULAS. Ela, como toda mulher, chora no final da novela. Ela, como toda mulher, quer cuidar de quem ama. É, talvez não escrevamos coisas tão diferentes. Talvez seja isso o nosso blog, um blog sem tema, um blog sobre ela, sobre eu, sobre você. Sobre como a gente se sente nesses dias que a gente simplesmente quer escrever alguma coisa.
Uma descrição justa dela? Bom, acho que seria assim...
A Fê é comum. Comum como todas as outras pessoas. Alguns dias ela está feliz e noutros ela não tem muito o que dizer. Mas em alguns ela fala mais que o homem da cobra. Comum como aquela que você encontra sentada no busão, mas que sacoleja junto com você no transporte público. Comum como aquela menina que fica na sala de espera olhando para o relógio querendo saber quem é o próximo. Comum como aquelas mulheres que vão na farmácia procurando um esmalte especial para a noite. Ah, os esmaltes. Ela é aquelas meninas que cuidam de alguns amigos depois da balada e põe eles para dormir, mas com medo que eles vomitem neles mesmo. Mas também não dispensa um chote de pinga, já que ninguém é de ferro. Comum, entende? Como todas as outras garotas na idade dela, ela já chorou escutando músicas e após a balada, não se preocupando em borrar a maquiagem. Também já sedeu o ombro para muita amiga chorar. Ela se sente feliz quando senta em certos banquinhos para papear com os amigos. Adora para falar a verdade. Gosta de tomar café assim que começa o dia para que a cafeína trabalhe com ela. Mas às vezes toma cafeína à noite, sem medo. Mas tem medo de muitas outras coisas que já valem um outro post. Ela faz compras para se alegrar, passeia pelo shopping e vai ao cabeleireiro, além de fazer as unhas, claro. Ela tem uma vida interessante sem precisar contar para todo mundo que tem n tarefas para fazer, sem precisar passar por cima de todo mundo, sem ter que fazer tudo igual todo mundo. E como todo mundo, ela tem o jeito dela própria. Ela, às vezes, grita igual homem, assiste jogos de futebol igual homem, mas tem um computador rosa e – não nas horas vagas, mas sempre que quer – passa cera nas unhas. Ela não tem culpa de nenhuma dessas coisas. Ela grita mesmo durante o jogo e mantem as unhas impecáveis. Ela também, é ela toda, cheia de amores impecáveis. Ela ama uma boa música, uma volta no Instituto Moreira Salles, um olhar no pôr-do-Sol, um abraço de despedida só para não cair na rotina. E comum, como todas as outras mulheres, e quem sabe também pessoas, adora falar no telefone: um papo, um desabafo, uma conversa boa à toa, um boa noite ou combinar um plano maléfico para dominar o mundo. Ela é comum, corrente, vulgar, normal, regular, habital. Assim como eu, assim como você. Ela é aquela menina que tenta ser filha, aluna, namorada, amiga, desconhecida e ainda pensa em ser uma boa mãe. Mas seus sonhos não acabam por aqui. Entende?
Ela, afinal, é Fernanda Lima, tem vinte e tantos anos, morou sua vida inteira em São Paulo, pretende não ficar mais louca do que seus amigos julgam e acha que extravassar em doses homeopáticas não faz mal a ninguém. Mas, às vezes, ela própria extrapolas essa unidade de medida.
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