segunda-feira, 9 de agosto de 2010

inocência nativa

No começo eu não queria ir. Não sei porque, não faço a mínima ideia mesmo, mas lugares cheios demais com pessoas importantes demais que geralmente se acham demais sempre me incomodou. Talvez era eu quem me achava demais para ficar perto deles e não queria ir. Acho que na verdade era isso mesmo. Mas eu fui. Coloquei meu iPod e fui à noite de autógrafos da Livraria Cultura.


Comprei meu livrinho sem muita esperança para autógrafos. Se eu não tivesse sido tão besta, estaria na fila há um bom tempo. Mas fiquei, já estava lá mesmo. Estão um senhor com pinta de simpático, um chapéu engraçado e uma bengala me pediu para guardar o lugar dele por um minutinho. Confesso que simpatizei com a bengala, guardei. Ele voltou e começou a tagarelar. Estava na fila, não podia sair para dar uma volta e escutei. Comi uns canapés de ervas finas; ele comeu o de ervas finas, de catupiry, de peito de peru e um outro roxo que eu não distingui. Tomei água; ele bebeu dois copos de água, um de guaraná, um de suco de maracujá e um de goiaba. Não peguei tudo o que ele disse. Mas uma hora eu escutei: "A gente acaba vindo para a Livraria sem saber, só para resolver as nossas dúvidas sem nem as escutá-las. Muitas vezes a gente nem sabe que as tem". Foi aí que eu me dei conta que - sem querer, como quem não quer nada e está só de passagem - só nos últimos dez dias eu devo ter ido umas quatro vezes à Livraria. Estava com muitas dúvidas. Ainda estou com outras tantas, mas o labirinto sempre me acalmou. Não sei se aquele senhor era um metido a sabe tudo ou se era um sabe tudo, não o achei tão simpático até o fim; mas fiz questão de me despedir do George, o Curioso. Ele dizia que era igual ao George Orwell.

No final de tudo, eu fui o último a pegar algum autógrafo com a fila inteira se fechando bem atrás de mim. E só sobramos nós, eu e aquela inocência verde que parecia relutar em ficar sentada.

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