Era uma festa para tomar suco de cevada, segundo o gêmeo. Mas foi mais do que isso. Foi uma mistura de sensações muito maior do que apenas refrigerante com vodka. Eram todas pessoas que eu já tinha visto e - até pouco tempo atrás - eu poderia dizer que conhecia, mas hoje eu simplesmente vi que talvez não possa dizer mais isso. Eram pessoas que conversavam comigo querendo um papo sério, querendo uma boa risada ou apenas querendo mostrar que estavam diferentes. Ainda não sei direito o que se deu nisso tudo, mas sei que sorri.
Eram pessoas procurando um caminhão de dignidade, procurando um esmalte novo, procurando briga, procurando não parecer muito criança. Mas desde quando a gente tem que fingir ser melhor para os outros gostarem da gente? A gente não pode ser simplesmente do nosso jeito e isso já não basta, já não é o suficiente? Não me venha com: "Eles precisam interagir mais com os outros." Prefiro nossas verdades do que as meias mentiras que os outros contam. Nessa madrugada eu simplesmente ouvi: "Nossa, lembrei da época em que eu era mais autêntica". Só porque eu estava com um clips no lugar do zíper. Todavia aquela frase não era só dela, mas de mais da metade daquelas pessoas que estavam lá bebendo seu suco de cevada. Cabe reflexão.
Talvez não tenha sido tudo isso. Talvez eu simplesmente estivesse com muito sono e não tenha entendido nada. Talvez essa só tenha sido uma festa sem abridor de garrafas, com um filho-palito, uma sereia e uma cerveja que nunca acabava. E agora, embreagado de sono, como só eu poderia estar, vou dormir.
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